“Cadáver” reaparece em encontro literário

Um disco que atravessa o tempo e virou um marco para a posteridade
24 de julho de 2020

O que o vinho, o whisky e os bons discos têm em comum é o sabor do tempo. Quanto mais velhos maior é o prazer em saboreá-los. Um produto musical quando é bom atravessa décadas sendo aplaudido com o mesmo vigor do dia em que foi lançado e aprovado pela crítica e a opinião pública. É o caso do álbum “Cadáver pega fogo durante o velório” (1984), do compositor Fernando Pellon (na foto, à época comemorando o lançamento do disco com Nadinho da Ilha e Cristina Buarque de Holanda).

O disco foi recentemente “dissecado” no Ciclo de Discos Brasileiros, organizado professor de Literatura Brasileira Guto Leite que é um dos coordenadores do Núcleo de Estudos da Canção na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O evento promoveu 11 encontros virtuais para a análise de importantes álbuns da música brasileira, dentre eles “Cadáver pega fogo durante o velório”, que figura entre os 10 mais importantes discos independentes lançados no Brasil, devido à sua irreverência e ineditismo.

Durante a live, os palestrantes convidados comentaram os álbuns selecionados desde o conteúdo de imagem (capa e paratextos) às faixas de cada disco. Um deles foi o artista plástico Patrick Tedesco, que analisou o projeto gráfico do LP. Quem também participou como convidado foi o poeta e professor de Teoria Literária da UFRRJ, Roberto Bozzetti, antigo parceiro de Fernando Pellon desde que integravam o grupo Malta da Areia, lançado em Niterói (RJ), na década de 1980.

Se você ainda não ouviu o disco, abra uma garrafa de vinho ou de um bom whisky e baixe aqui no site esse excelente LP. E se surpreenda com o mosaico de imagens sobre a vida dura e a miséria humana, como se refere Roberto Bozzetti, que estão presentes nos versos de Fernando Pellon.