Compositor fala do projeto que deu início à sua carreira musical

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A data do show de Fernando Pellon no  Sesc Belenzinho, em São Paulo, está se aproximando e o compositor revela qual é o seu sentimento por esta oportunidade de subir ao palco para cantar as músicas de um disco que é tão importante na sua carreira: “Vamos participar do Projeto Álbum, no qual artistas apresentam, integralmente, discos considerados clássicos pela sua importância histórica. Nesse sentido, o convite do Sesc para que eu apresente ao público o disco “Cadáver pega fogo durante o velório”, o primeiro da minha carreira, atesta a atemporalidade de sua contribuição como inovação estética à música popular brasileira. Tal reconhecimento é muito gratificante.

O disco foi gravado em 1983, com as participações especiais de Cristina Buarque, Nadinho da Ilha, Synval Silva e Paulinho Lêmos, parceiro mais constante de Fernando Pellon. Na versão atual, ao seu lado no palco estarão a cantora e compositora Fátima Guedes, substituindo Cristina Buarque, e Douglas Germano, que entra no lugar de Nadinho da Ilha, cantor e compositor que morreu em 2009.

Fernando Pellon comentou sobre os colaboradores que estarão ausentes no palco do Sesc, cita qual foi a contribuição deles para o disco e fala, também, sobre as participações especiais de Douglas Germano e Fátima Guedes:

─ Desde o disco “Prato e Faca” (1976), a Cristina Buarque inspirou o trabalho da Malta da Areia, coletivo de compositores que eu integrava e que formulou o projeto . Assim, foi natural convidá-la a participar do disco. o Sinval Silva era amigo de meu pai e figura de destaque nas serestas realizadas no quintal da nossa casa no Grajaú. Ele sempre foi considerado como fundamental no projeto. Já o Nadinho da Ilha foi imprescindível nas músicas que demandavam um forte desempenho vocal (“Carne no Jantar” e “Flores de Plástico ao Amanhecer”). Para suprir a ausência dos citados intérpretes, vem o auxílio luxuoso de Fátima Guedes e Douglas Germano, com quem muito me identifico nas composições “Onze Fitas” e “Damião”, e de Marcelo Pretto, que arrasa na interpretação com o Swami Jr. de “Ratapaiapatabarreno”, composição do Douglas Germano.

A música de Fernando Pellon é bem conhecida em São Paulo, segundo o compositor a sua ligação com a cidade “vem de longe”. O disco foi distribuído na capital paulista, na década de 80, pelo Estúdio Eldorado e pelo Selo Lira Paulistana. “Além disso, o Língua de Trapo incorporou ‘Carne no Jantar’ a seu repertório e divulgou o trabalho por lá. Por fim, os artistas José Wagner Garcia e Luciana Orvat adaptaram o projeto gráfico do disco para uma versão em CD”, declarou.

O compositor diz que o público que for assisti-lo com seus convidados no show no Sesc Belenzinho pode esperar uma grande apresentação, cujo repertório terá, também, músicas dos seus discos mais recentes “Aço frio de um punhal” e “Moribundas vontades”:

─ Inicialmente, o público pode experimentar o projeto que deu início à minha carreira musical, que será integralmente apresentado na forma de show pela primeira vez. A seguir, com o material mais recente, será possível apreciar a evolução estética do meu trabalho, pois os três discos se complementam como parte de um mesmo percurso.