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Na próxima sexta-feira, 23 de março, Fernando Pellon se apresenta no palco do Sesc Belenzinho, em São Paulo, em um  show de celebração do primeiro disco da sua carreira: “Cadáver pega fogo durante o velório”, gravado em 1983. No palco, o artista independente terá a companhia da cantora e compositora Fátima Guedes, dos cantores e compositores Douglas Germano e Marcelo Pretto, ambos antigos conhecidos do meio musical da capital paulista.

A produção do show é do produtor e pesquisador Fábio Giorgio, que há seis anos vem participando do projeto “Álbum”, que se propõe a divulgar discos brasileiros significativos no âmbito artístico, mas que não necessariamente tiveram êxito comercial:

─ Antes do show do Fernando Pellon, foram outros quatro produzidos, além de 10 textos escritos para o projeto – Fausto Fawcett, com o disco “Robôs Efêmeros”; Patife Band, com “Corredor Polonês”; Odair Cabeça de Poeta, com “O forró vai ser doutor”, entre outros.

Fábio Giórgio revela como e quando conheceu o trabalho musical de Fernando Pellon. Disse que isso ocorreu na segunda metade dos anos 1980, quando ouviu pela primeira vez “Carne no jantar”, uma das músicas do repertório do disco, em um show do grupo Língua de Trapo em São Paulo:

─ Pouco depois, no início dos 90, eu apresentei e produzi com amigos da faculdade o programa Risco no Disco, na rádio USP. Assim que nossa equipe encontrou o LP “Cadáver pega fogo durante o velório” na discoteca da emissora, ele passou a ser tocado. Nosso enfoque, àquela altura, era o lado B da música brasileira.

O produtor revelou também como nasceu a proposta para Fernando Pellon se apresentar no Sesc, cantando as músicas do disco:

─ O Sesc oferece ao público do projeto um programa com fotos recentes e antigas do artista ou banda participante e um texto especialmente escrito sobre a obra. Como há alguns anos encontrei um perfil do Fernando Pellon no Facebook, imaginei ser possível sua participação. E com imenso prazer, além de ter conseguido programar e produzir a apresentação – que exigiu negociação de anos e uma logística bem complexa (serão sete músicos e cinco cantores no palco) –, também escrevi um texto sobre o disco. Quem for ao show terá acesso a ele. Depois de um bom tempo, chegou a hora de finalmente ver e ouvir o álbum “Cadáver…” interpretado na íntegra.

Nesse show, ao lado dele estarão Douglas Germano e Marcelo Pretto. E Fábio Giórgio conta o que levou à escolha desses artistas, e qual é a identificação deles com as composições de Fernando Pellon:

─ Sou admirador do trabalho de ambos – Douglas Germano tem dois discos solo lançados e um em parceria com Kiko Dinucci; e Marcello Pretto, além do trabalho com os grupos Barbatuques e A Barca e um disco em parceria com Swami Jr., lançou em 2016 seu primeiro CD solo. Douglas é um compositor inquietante e refinado, e Marcello, um intérprete de potência e estilo extremamente contemporâneo. Assim que comecei a organizar a banda e dialogar com Pellon sobre os pormenores do show, apresentei a proposta da participação dos dois e ele topou. Enquanto o Douglas Germano já conhecia o disco “Cadáver…”, para o Marcelo Pretto foi uma grata surpresa. Um com seu jeito intimista e o outro com vigor e muito recurso vocal representarão com brilhantismo e força, tenho certeza, os finados Synval Silva e Nadinho da Ilha, que registraram suas vozes nas gravações originais.